E TUDO MUDOU
O rouge virou blush,
o brilho virou gloss,
o rímel virou máscara incolor.
A lycra virou stretch,
anabela virou plataforma,
o corpete virou porta-seios,
que virou sutiã,
que virou silicone.
A peruca virou aplique, megahair.
A escova virou chapinha.
“Problemas de moça” viraram TPM.
A crise de nervos virou stresse.
A chita virou viscose,
a purpurina virou gliter,
a brilhantina virou mousse,
os halteres viraram bomba.
Ping-pong virou babaloo,
O a-la-carte virou self-service.
A tristeza virou depressão,
o espaguete virou Miojo,
a paquera virou pegação,
a gafieira dança de salão.
o que era praça virou shopping,
a areia virou ringue,
a caneta virou teclado,
o long play virou CD,
a fita de vídeo virou DVD,
o CD agora é MP3,
é um filho onde éramos seis
O álbum de fotos é mostrado por e-mail,
O namoro agora é virtual,
a cantada virou torpedo,
e do “não” não se tem mais medo.
O break virou street,
o samba, pagode,
o carnaval de rua virou Sapucaí,
o folclore brasileiro, halloween.
O piano agora é teclado,
o forró de sanfona ficou eletrônico,
fortificante não é mais biotônico.
Bicicleta virou bike,
Polícia e ladrão virou conter strike.
Folhetins são novelas de TV,
Fauna e flora a desaparecer.
A AIDS virou gripe,
A bala encontrada agora é perdida
A violência está coisa maldita!
O professor é agora facilitador,
As lições já não importam mais,
a guerra superou a paz,
e a sociedade ficou incapaz... de tudo.
Inclusive de notar essas diferenças.
Luís Fernando Veríssimo

